Por quem corre esta gente…

O PÚBLICO  E O RALLY de PORTUGAL

Quem já acompanhou, um dia, alguma especial do Rally de Portugal no Salto de Fafe, na descida do Confurco, na Selada das Eiras, em Arganil, ou em qualquer dos metros dos três troços da zona de Sintra sabe a força da ligação do público com o Rally de Portugal, um evento que sempre se fez acompanhar de molduras humanas impressionantes, levando a animação à mais escondida povoação das serras deste País.

São tantos os feriados nacionais e regionais, e o Dia de S. Rally não é exceção. Mesmo não estando contemplado no calendário. Desde ‘petas’ ao patrão a salas de aula desertas, o facto do Rally de Portugal passar por perto era sinónimo de ‘gazeta’ às aulas. No mês de Março (um bom hábito que agora regressa), muitos milhares de pessoas fugiam à rotina por uns dias para rumarem às serras por este Portugal fora, em autênticas romarias.

A prova portuguesa do Mundial de Ralis sempre teve dois ou três pontos onde o público acedia em massa. Quem não se recorda da fabulosa descida do Confurco no troço de Fafe, seguida da passagem no asfalto, num espetáculo presenciado por muitos milhares de pessoas, que nos dois lados das encostas tinham uma visão única do bailado dos carros no “desce e sobe”. Um pouco mais à frente, no Salto da Pedra Sentada, nos anos oitenta era absolutamente impressionante o facto de haver centenas de pessoas que escolhiam a estrada para ver surgir os carros no topo do salto.

A coreografia da fuga, apesar de perigosa, há-de ficar para sempre na história dos ralis, especialmente quando se quiser mostrar a algum pretendente a adepto, o porquê de tantos serem apaixonados pela modalidade. Na berma da estrada, nas diversas plateias, muitos milhares testemunhavam o perigo e o espetáculo. Também em Arganil, a Selada das Eiras, pelo fácil acesso, era o ponto de encontro de milhares e milhares de espectadores, que se espalhavam Serra abaixo e acima, quer fosse em direção ao Colmeal, ou ao Salgueiro. Durante a noite, a estrada de acesso às Torrozelas, mais parecia a Feira Popular nos seus melhores dias. Por fim, Sintra. Quem esteve na manhã de 8 de Março, há quase 25 anos, naquela Serra, testemunhou um pouco de tudo. Inconsciência, mas sobretudo muita paixão e emoção. Provavelmente, nos 22 Kms dos três troços estavam mais espetadores em 1986, que no total do atual Rally de Portugal. Outros tempos…

A ligação do público ao Rally de Portugal desvaneceu-se muito depois de 2001. Para muitos, foi como ver a namorada fugir com um alemão. Os cinco anos de ausência, a mudança de “residência” para palcos diferentes deixaram pouco para fazer paralelismos, e criou distância para a grande massa de adeptos. O ano passado, com o Porto Road Show, o ACP voltou a piscar o olho ao público do Norte. Este ano, com a Super-Especial de Lisboa, faz o mesmo aos “filhos de Sintra”. Apesar de serem cada vez mais, pela quantidade de público que por lá se tem visto desde 2007, a maioria dos que antes não perdiam o Rally de Portugal, não tem ido ao Alentejo e Algarve, mas estamos certos que um dia, quando as circunstâncias o permitirem e o Rali, por exemplo, se estenda de Norte a Sul…

(extrato de uma peça do Auto Sport)

Nota – para nós há muitos, mesmo muitos anos de andanças em ralis, esta peça tem um “sabor especial” de realidade e saudade…

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