Rally de Portugal > CAPAS com HISTÓRIA…

Numa fase de ‘aperitivos’ para o Rally de Portugal, o Autosport Online recorda-lhe um dos mais interessantes artigos de sempre feitos pelo Nuno ‘Alen’ Branco relativos à prova portuguesa do Mundial de Ralis, que relembra as capas que fizeram a história. A não perder, na certeza que há muito mais donde veio este artigo. Fique atento.

O melhor Rallye do Mundo tem sido, ao longo da sua história, motivo de amplo e merecido destaque por parte dos órgãos da imprensa especializada Portuguesa. Hoje, proponho percorrer algumas das mais simbólicas capas de jornais e revistas que, nas últimas quatro décadas e logo após o término de cada edição da prova , procuravam oferecer aos apaixonados leitores a melhor reportagem possível, relatando vitórias, amarguras, sofrimento, euforia, polémicas, alegrias, enfim, um misto de sentimentos que retratam também eles, o que tem sido ao longo dos anos, o Rallye de Portugal para pilotos, máquinas, organização e espectadores.


Alvo de interessantes discussões nos últimos tempos, a importância da capa numa edição escrita estará longe de gerar consenso. Não sendo certamente o único motivo de interesse de uma publicação, o papel de uma capa não deverá contudo ser descurado.

Se o desporto automóvel é um misto de razão e emoção, o mesmo se aplicará a um jornal ou revista nele especializado. Digamos que o “interior” e os factos ou notícias que este transmite representam a razão. À capa, caberá o papel de desafiar o leitor, apelar à emoção e desencadear entusiasmo.

Todos temos variados exemplos em que, tendo já esquecido por completo o conteúdo de uma edição escrita, a capa permanece ainda na nossa memória pelos sentimentos que despertou.

Ao longo de mais de quarenta anos de Rallye de Portugal, muitas foram as capas que procuraram transmitir a emoção de uma prova desta envergadura. Sugiro então que façamos uma rápida viagem no tempo e, através das mais variadas publicações de cada época, percorramos a história da maior das provas Portuguesas.

TUDO POR UM CÊNTIMO!
Se lhe dissessem que uma reportagem completa sobre o rallye de Portugal, com o resumo da prova, entrevistas, detalhes sobre as mecânicas e os tempos por troço, custava apenas pouco mais que um cêntimo, certamente, desatava a rir. Pois bem, em Outubro de 1967, por 2 escudos e 50 centavos, recebia isto e ainda ficava a saber que, do ponto de vista organizativo, primeiro Rallye Internacional TAP fora um êxito. A capa do Motor fazia referência à dureza da prova (começava aqui a ganhar fama) e ao triunfo de Carpinteiro Albino após a desistência do grande dominador, Jean Pierre Nicolas.

No ano seguinte, nova referência às dificuldades do percurso. Na edição mais concorrida de sempre, Tony Fall impunha-se a Paddy Hopkirk e António Peixinho era o melhor Português.

A Polémica marcou a edição de 1969. Se dúvidas existiam acerca da presença da namorada de Tony Fall a bordo do Fulvia que estava prestes a vencer a prova desse ano, o jornal Motor tratou de o comprovar, colocando várias fotos deste episódio na capa. Após a desclassificação do piloto Britânico, a vitória acabou por sorrir a Francisco Romãozinho, numa edição marcada por péssimas condições atmosféricas, ditando apenas 3 sobreviventes na chegada ao Estoril.

Em 1970, a prova seria palco para o desfile dos grandes nomes dos rallyes Mundias. Afirmava-se cada vez mais internacional, e o Motor classificava-a de “melhor de sempre”, destacando a vitória do Finlandês Simo Lampinen, em Lancia Fulvia.

1971 foi o ano de Jean Pierre Nicolas. O Francês beneficiou do abandono de Munari, para impor o seu Alpine Renault a toda a concorrência. O imenso pó e as inúmeras desistências que marcaram todo o rallye, levou o Motor a apelidá-lo de “o mais violento”.

Pó, foi coisa que não houve na chuvosa e lamacenta edição de 72. Segundo “O Volante” Achim Warmbold soubera esperar até à passagem na Serra da Cabreira, para ascender ao comando, depois da desistência de Nicolas.


TAP NO MUNDIAL

1973 marcou o início do Campeonato do Mundo de Rallyes. O TAP integrava o calendário, mas passava a disputar-se em Março. Em apenas alguns meses, a equipa de César Torres conseguira pôr de pé mais uma bem sucedida prova, onde a “Intratável Alpine” Renault não deu hipótese à concorrência e Romãozinho conseguiu chegar ao último lugar do pódio.

A crise energética quase hipotecava a edição de 74. Salva pelo combustível da Venezuela, a prova assistiria a uma tripla vitória da Fiat. O jornal Motor vaticinava que, após este triunfo de Raffaele Pinto, a Fiat “descolava para o título”, algo apenas impedido pela entrada em cena do lendário Stratos na segunda metade do Mundial.

O Finlandês Markku Alen, que em 74 se estreara entre nós com um terceiro lugar, conseguiria a sua primeira vitória no ano seguinte. Na quente edição de 75, Alen levou o melhor sobre Mikkola e, tal como avançou o Motor, foi o primeiro a provar o “paladar do Vinho do Porto”, que entretanto se assumia como o principal patrocinador da prova.

A Revista AutoMundo, apelidava Munari de “Irresistível”, após o domínio exercido pelo piloto do Lancia Stratos em 1976. No ano seguinte, o destaque ia para Markku Alen que se tornara o primeiro piloto a obter o “bis” na prova Portuguesa.

O famoso duelo de 78, travado por Alen e Mikkola em Sintra, não deixou os media indiferentes e o Motor chamou-lhe “duelo de gigantes”, com Alen a levar melhor. Mikkola venceria no ano seguinte, ano em que a Ford não teve concorrência à altura, proporcionando ao Finlandês um “Vinho do Porto fácil de digerir”.

Em 1980, segundo a Automundo, foi Walter Rohrl quem teve direito a um “Porto Doce”, após um merecido triunfo para o qual muito terá contribuído o tempo canhão obtido em Arganil, onde ganhou cerca de 4 minutos a Alen. O Finlandês viria a sorrir no ano seguinte, ao conquistar a quarta vitória após um despiste inicial na Peninha, que o obrigou a terminar o troço em marcha-atrás.

A famosa dupla Michele Mouton / Fabrizia Pons conquistaria em 1982 a única vitória feminina no historial da prova. Evidenciando a vantagem das quatro rodas motrizes do seu Audi, a Automundo concluía num título o que tinha sido a prova desse ano: “Duas que valem Quattro!”.

A Audi viria igualmente a conquistar as duas edições seguintes através de Hannu Mikkola, não sem antes travar difíceis duelos com as homens da Lancia: Walter Rohrl em 83 e Markku Alen em 84.

A quarta vitória consecutiva da Audi só não aconteceu porque Walter Rohrl foi o rei do azar na edição de 1985, e viu a vitória fugir-lhe das mãos após problemas mecânicos e furos, entregando-a a Timo Salonen, em Peugeot.

PRIORITÁRIOS DIZEM NÃO
A prova de 1986 ficou marcada pelas piores razões. Esperava-se uma das melhores de sempre, mas o acidente de Joaquim Santos na Lagoa Azul e o comportamento do público Português levou os pilotos oficiais a renunciar à prova, cabendo a vitória ao Português Joaquim Moutinho. Com diminuída importância, a prova acabou por revelar ainda alguns pontos interessantes de seguir, razão pela qual a Automundo opinava que o “Boicote dos pilotos não azedara o Vinho do Porto”.

1987 marcou o início da era dos “Grupo A”. Alen assegurou o quinto triunfo numa prova onde, segundo a revista Turbo, esteve “imparável” a contrariar a grande prova de Jean Ragnotti e os problemas de amortecedores da Lancia.

Massimo Biasion conquistou 3 vitórias consecutivas nas edições de 1988 a 1990. A Revista turbo destacava que a supremacia do Lancia Delta no final da década de 80 permitia ao Italiano “passear-se” pelas estradas Portuguesas.


CHEGADA DE EL MATADOR
1991 marcava a “estreia de Sainz” no palmarés do Rallye, para gáudio dos milhares de Espanhóis que, anualmente emprestam colorido à prova. Viria a repetir o triunfo 4 anos depois, após um interessante “duelo de gigantes” com Juha Kankkunen, até ao final.

Kankkunen veio a Portugal pela primeira vez em 1984, mas só em 92 conseguiria ser feliz. O Autosport referia-se a esta prova como “a estreia de Kankkunen”. O Finlandês viria a bisar e 1994 depois de, segundo o Volante, ter “voado mais alto” que toda a concorrência.

Em 1993 assistiu-se à dobradinha da Ford, com François Delecou a confirmar nas etapas de terra a excelente prestação que havia conseguido na etapa inicial em asfalto. Após algumas provas em que o Francês havia dominado até muito perto do final, o Autosport destacava “enfim, a vitória” a pertencer ao piloto da Ford.

O sistema de rotatividade imposto pela FIA em 1994 ditou que, em 1996 o Rallye de Portugal não contasse para o Mundial da especialidade, mas apenas para a competição de 2L. Com a ausência dos melhores do mundo, Rui Madeira “tomou posse” da nossa prova, após interessante disputa com Freddy Loix.

NOVAMENTE AO SEGUNDO
Segundo o Autosport, a “Mitsubishi fez história” em 1997, conquistando a primeira vitória entre nós graças a Tommi Makinen. No ano seguinte, novo duelo épico até ao último metro de prova, com Colin McRae a impor-se a Carlos Sainz por apenas 2 segundos. O semanário dos campeões referia mesmo que “melhor era impossível”.

Nova vitória de McRae em 1999, desta vez mais folgada. Depois de voar nos troços iniciais de Ponte de Lima, o Escocês limitou-se depois a gerir a vantagem a seu bel-prazer.

Em 2000, nova luta ao segundo. Marcus Gronholm e Richard Burns disputaram a vitória até ao último troço, com a vitória a decidir-se a favor daquele a quem o Autosport apelidou de “talentoso Mr. Buns”.

O FIM DO SONHO
“Lama Suor e …Lágrimas”. Foi assim que o Autosport resumiu na sua capa a edição de 2001. Após um prova mercada por péssimas condições atmosféricas e alguns (possíveis) erros da organização, a FIA anunciava a sua exclusão do Mundial. Rude golpe para todos aqueles que vibravam com a prova Portuguesa, incluindo os próprios pilotos que sempre mostraram grande simpatia pelo nosso Rallye. Seguiram-se alguns anos de inconformismo, muito trabalho e alguma esperança.

O REGRESSO DOS NOTÁVEIS
Em 2007, os adeptos Portugueses voltaram a acreditar. A FIA anunciara o calendário do Mundial e a prova Portuguesa estava incluída. Depois do domínio de Sebastien Loeb, o Autosport destacava um “Merci Portugal”.

Muita coisa mudara entretanto. Os caminhos de Fafe e Arganil deram lugar aos trilhos do Alentejo e Algarve. No entanto, a excitação de uma prova desta envergadura e a paixão de quem a segue mantiveram-se na sua essência e, tal como 40 anos antes, o Rallye de Portugal voltava a disputar um classificativa num estádio de futebol…

(Auto Sport)

Veja as Capas que fizeram história:


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