Carlos Barbosa > “As pessoas não se podem esquecer que podemos perder o Rally de Portugal se houver problemas com a segurança”

Numa grande entrevista dada ao Diário de Notícias de hoje, Carlos Barbosa, presidente do ACP, falou, entre outros assunto, do Rally de Portugal, da importância que tem para o país, e do bom investimento que o Estado português faria com a Fórmula 1. Revelou ainda ter saudades dos ‘antigo’ Rali de Portugal, e colocou novamente ênfase na segurança no Rally de Portugal: “É fundamental e não abrimos mão dela.”

Retorno que o Rally de Portugal dá ao país

Munido de números que há vários anos confirmam que o investimento feito no Rally de Portugal dá um retorno vinte vezes maior, Carlos Barbosa é de opinião que se poderia fazer ainda melhor: “Com maior apoio do Estado podíamos ter um super-rali com mais pilotos convidados, mais estrelas, poderíamos fazer mais coisas. O Rally de Portugal é uma grande mais valia para o nosso país, e de longe o evento que mais retorno dá ao país a seguir ao Euro 2004.”, refere ao DN.

Saudades dos “velhos tempos”

O presidente do ACP não está sozinho num sentimento que é partilhado pela maioria dos adeptos portugueses de ralis, as saudades do “velho” Rali de Portugal. Ainda e sempre a DN diz: “Tenho as maiores saudades do tempo em que o rali decorria no Centro e Norte. Era um rali extraordinário com as noites de Sintra, Arganil, por exemplo. Hoje não temos capacidade para fazer isso, e os construtores também já não têm capacidade financeira para fazer ralis desse género, com as assistências permanentemente atrás dos carros. Hoje em toda a parte do mundo os ralis são concentrados. Mas continuo a ter muitas saudades do formato anterior.”

Apoios aos pilotos

A questão dos apoios aos pilotos também veio à baila, num país que muitos entendem vergar-se demasiado ao futebol: “É bom termos pilotos no WRC, mas em Portugal não se aposta nos verdadeiros desportistas. Basta ver o que a Espanha fez com o Alonso e o Nadal, para chegar onde chegaram, e com todos os pilotos das motos. Têm uma forte política de apoio aos desportistas de alta competição, e ao fim de algum tempo se é bom é ‘solto’, se não for deixam de apoiar. Veja-se o retorno que a Espanha já teve com dois circuitos na F1. Nesse aspeto o nosso país é miserabilista. O Armindo Araújo é um piloto do melhor que há, e no relatório do teste que o Armindo fez com a Ford, há uns anos, apoiado pelo ACP, o Malcolm Wilson confessou que o Armindo tinha sido dos melhores pilotos que tinha conhecido ao pegar num WRC pela primeira vez e andar como andou na altura.”, referiu Carlos Barbosa ao Diário de Notícias.

Segurança no Rally de Portugal

Possível de comparar ao Rali de Portugal, em termos de mau comportamento do público, na década de 80 talvez mesmo só o Rali de San Remo. Era curioso ver que quanto mais sucesso e impacto a prova tinha perante o público, maiores eram os problemas para resolver pelos organizadores e em Portugal, e Itália, as coisas chegaram a um ponto em que se devia ter atuado bem mais cedo. A tragédia acabou por surgir em Portugal, mas pelo que ainda hoje se vê das imagens daquele tempo o acidente poderia ter surgido em qualquer altura e em qualquer lado.

Hoje em dia, quem vê os nossos ralis mais representativos, Portugal, Madeira e Açores, já não vê nada daquilo. No final dos anos 90 o ACP desenvolveu um novo conceito para os espectadores dos ralis: As zonas Espetáculo Locais previamente preparados para os espectadores, com bons acessos, e condições para se assistir à prova em segurança. E as coisas têm resultado bem, e mesmo nos ralis de 1999 e 2000, com imenso público e bom tempo, as provas correram bem. Hoje em dia, para Carlos Barbosa, o conceito desenvolvido pelo ACP tem dado frutos:

“Portugal inovou com as Zonas Espetáculo, conceito que evita que se repitam os exageros de antigamente. O Algarve ajuda porque sendo montanhoso permite colocar e controlar bem as pessoas. Podemos perder o rali se houver problemas com a segurança e as pessoas não se podem esquecer disso. Os espectadores estão muito mais educados, mas mesmo assim exercemos um controlo muito forte. A segurança é fundamental e não abrimos mão dela.”

Fórmula 1 em Portugal

Por fim, Carlos Barbosa termina a entrevista ao DN dizendo que a F1 seria um bom investimento para Portugal, e não vê os 25 milhões que a prova eventualmente poderia custar ao Estado como mal gastos: “São investimentos para a promoção do país. O que Portugal tem para vender? Turismo, a segurança do país, hotéis, golfe, praias e porque não aproveitamos esses grandes acontecimentos que trazem multidões ao nosso país e nos colocam nos jornais de todo o Mundo?”, questiona. Excelente entrevista, que não deve perder na edição impressa de hoje do Diário de Notícias.

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