RALLY DE PORTUGAL 2012

Vitória de Mads Østberg na secretaria

Desclassificação de Mikko Hirvonen por irregularidades técnicas “dá” vitória ao jovem piloto norueguês (*)

Num jornal quinzenal, não faria grande sentido vir expor os resultados generalistas que, numa prova desta dimensão, são tratados na hora por todos os meios tecnológicos agora ao dispor.

Assim vale mais a pena fazermos uma análise ao que e passou e ao que virá a seguir.

Em relação à presente edição as expectativas eram grandes, já que incluíam a estreia da classificativas noturnas e a sua quilometragem era bem superior à dos anos anteriores.

Pois tivemos o que se pode chamar de Rally “atípico” com a primeira desistência de vulto a ocorrer logo na segunda especial noturna, com a saída de estrada do campeão em título Sebastien Loeb, ao que se juntou uma noite diluviana após messes sem chuva.  A manhã seguinte foi um calvário para todas as equipas, com praticamente todos os pilotos oficiais a terem saídas de estrada que, não fosse o esquema de “Rally2”, que lhes permite voltar a correr com uma penalização atribuída pela Organização, teria deixado a prova sem os seus principais intervenientes.

Logo no troço de S. Brás de Alportel-1, a última da primeira ronda do 2º dia, houve carros que ficaram atascados na travessia de uma ribeira e que, como tal, tiveram que ser rebocados e impediam a passagem de quem vinha a seguir. Vieram-nos à cabeça os incidentes de 2001 que, também por via da intempérie, levaram ao afastamento da nossa prova do calendário do Mundial.

Decidindo muito bem, a organização fez anular as passagens da tarde e ofereceu a todos os que tinha tido problemas durante a manhã, a possibilidade de recomeçarem no dia seguinte ao abrigo do já citado “Rally2”.

Sendo o único que não tinha experimentado complicações entre os pilotos da frente, foi com naturalidade que Miko Hirvonnen liderava com uma margem confortável.

No entanto atrás de si jogava-se uma luta onde sobressaíam os novos “lobos” como Østberg e Novikov, que demonstravam um andamento rápido e consistente a prometer voos mais altos.

Entre os portugueses não havia discussão, mas a prestação de Armindo Araújo que a jogar em casa se esperava de realce, desiludia, tanto pela saída de estrada na primeira noite que lhe custou cerca de 5 minutos, como pelo andamento evidenciado, fraco, muito fraco numa prova sempre feita à defesa e à espera dos azares alheios que afinal também lhe bateram à porta.

Apesar da diferença notória entre o seu carro e o de Dani Sordo, se comparada com a de Patrik Sandell num carro quase idêntico, a prestação de Armindo não pode ser vista como brilhante, nem lá perto.

Com a melhoria do tempo o Rally foi-se desenvolvendo de forma mais natural até final, mas, e eis senão quando já depois da cerimónia do pódio e conferência de imprensa final, cai a bomba:

Devido a irregularidades com a embraiagem do Citröen DS3 WRC, Hirvonen era desclassificado!

Assim subiu ao degrau mais alto do pódio o piloto norueguês Mads Østberg que, com o Fiesta WRC mais antigo do plantel (foi o carro da época transata utilizado por Ken Block e também carro de testes por parte da equipa oficial da Ford) se tornou o segundo mais jovem vencedor do Rally de Portugal com 24 anos e 172 dias (o mais novo foi Markku Allen com 24 anos e 156 dias) e o primeiro privado (a equipa é minúscula quando comparada com as oficiais e mesmo algumas privadas) desde 1993 com a vitória, na altura, de Gian-Franco Cunnico no Rally de San Remo.

Justiça seja feita, o jovem piloto norueguês enfrentou a prova de uma maneira muito séria e profissional contando também com a preciosa ajuda da sua equipa de assistência quando um arreliador problema elétrico entre as duas passagens da última manhã ia deitando quase tudo a perder.

O Futuro:

É aqui que temos verdadeiramente que nos concentrar, pois há vários fatores que não podem deixar de ser tomados em consideração:

1-    A confrangedora ausência de público português ao longo da prova. Cerca de 60 a 70% dos carros estacionados junto aos troços eram espanhóis e o castelhano a língua mais ouvida  na corrida.

2-    O facto de na semana anterior se ter realizado o “Fafe Rally Sprint” cuja cobertura mediática feita pela RTP, foi um autêntico apelo (por vezes a raiar o vergonhoso) ao regresso do Rally ao norte com frases do género “Aqui sim é Rally”, “A catedral está de volta” etc., etc….

3-    Apesar do exposto anteriormente, e excluindo o incitamento constante da RTP, temos infelizmente que constatar duas coisas:

Em Fafe conseguiram pôr cerca de 150000 espetadores em 6 Km de troço, quando no Algarve se calhar nem se chegou a esse número durante todo o rally.

Os aficionados, ou são menos (disso não tenho dúvidas), ou não estão para se deslocar se o rally não for corrido num raio de 50 Km de sua casa.

Algo meus amigos terá de mudar ou corremos seriamente o risco de perdermos a prova no Algarve, isto acrescido do próprio risco implícito de a perdermos MESMO se a FIA apostar na realização de 6 provas na Europa e 6 no resto do mundo.

A quem nos quer dar o Norte como futuro (e sem regionalismos exacerbados) temos que responder com uma maior adesão de público.

Como apontamento final só o registo de parabéns à organização que, tal como nos tem habituado esteve ao nível do melhor que e faz por esse mundo inteiro.

Saudações desportivas

ZéGonzo

(*) – publicado no NOTICIAS de ALBUFEIRA

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