Rally de Portugal passa por Oliveira do Hospital em 2014?

Há muito se fala nos ‘mentideros’ da possibilidade do Rally de Portugal rumar ao centro/norte a breve trecho, e a pouco e pouco os sinais que vão surgindo, deixam algumas pistas nesse sentido.

A última, são declarações de José Carlos Alexandrino, presidente da Câmara de Oliveira do Hospital, que anunciou “um pré-acordo estabelecido entre o município e o Rali de Portugal, pontuável para o Mundial de Ralis, que prevê a realização da sua primeira classificativa no concelho, em 2014”, numa declaração publicada esta semana no Jornal de Arganil.

Caso se confirme, trata-se duma boa notícia para boa parte dos adeptos nacionais, que dessa forma veriam o rali regressar às origens, se bem que, o vazio deixando pela saída da prova pontuável para o WRC no final de 2001, tem sido bastante bem colmatado pela prova que se realiza a sul desde 2007.

“Posição do Rali de Portugal é muito frágil a partir de 2015”

Há algum tempo, Pedro de Almeida, Diretor do Rali de Portugal disse ao Autosport que a
“posição do Rali de Portugal é muito frágil a partir de 2015”, já que nessa altura está previsto nascer um ‘novo’ WRC, pois é vontade expressa da FIA introduzir novos eventos das mais variadas localizações e nesse contexto a ‘nossa’ prova poderá ter problemas. A ideia de Jean Todt passa por reduzir o número de provas na Europa, continente onde passaria a haver mais candidatos do que lugares:

“No horizonte de 2015, o Campeonato do Mundo de Ralis não deverá ter mais do que seis provas na Europa e a posição do Vodafone Rali de Portugal é muito frágil neste contexto: primeiro porque somos um país marginal em matéria de vendas automóveis e um mercado pouco apetecível para os construtores do WRC e depois porque estamos numa situação delicada do ponto de vista económico”. Mas há mais dificuldades…

Para o principal mentor da nossa prova, “há que considerar a concorrência. Das 11 provas disputadas na Europa, seis parecem ter lugar cativo. O Rali de Monte Carlo não sairá porque é a prova mais emblemática do WRC, a Suécia também não porque é o único rali de neve do campeonato; França e Alemanha dificilmente perderão os seus lugares pelas forças dos seus construtores e mercados que lhes estão agregados; Finlândia também ficará sempre por força do seu historial, da ‘fornada’ de pilotos que todos os anos fornece ao campeonato e da sua excelente organização, enquanto Inglaterra é vista como o berço dos ralis e Espanha o rali do Mundial com mais retorno de marketing. Contas feitas, só sobram Portugal, Itália e Grécia ou seja, há já, teoricamente, sete fortes candidatos para preencherem seis lugares e só depois aparece Portugal no oitavo lugar do ‘ranking’ virtual!”.

“Temos que ser sempre muito melhores que os melhores”

Qual é então a solução e o que é que ela implica? Segundo Pedro de Almeida, mesmo sem garantias de sucesso, só é possível fazer três coisas para tentar garantir a prova no calendário do WRC: “Primeiro temos que ser sempre muito melhores que os melhores; depois o Vodafone Rali de Portugal tem que ficar completamente isento de erros e apresentar sempre soluções inovadoras; e, finalmente, temos que ter abertura suficiente para fazer aquilo que os outros não querem fazer como, por exemplo, os troços noturnos”. E se tudo isto não chegar, então é porque Portugal não tinha mesmo que ter uma prova no calendário do Mundo de Ralis.

Rali a norte é difícil, mas não impossível

A realização em Março passado do WRC Fafe Rally Sprint alimentou a esperança de muitos milhares de espetadores do Vodafone Rali de Portugal regressar às origens. Mas daí até à prova regressar às suas origens, atravessando o país e passando por locais emblemáticos como Fafe, Arganil ou até Sintra, vai uma longa distância. A este propósito, Pedro de Almeida, explica “as pessoas devem ter consciência que o mais importante é que o WRC continue em Portugal. Nesta fase, está tudo em aberto e é preciso pensarmos o que é que é melhor para o futuro do rali e para a sua manutenção no WRC, se é melhor estar no lugar A, B ou C”. Consciente dos problemas, mas também da paixão do norte pelos ralis, o mesmo responsável constata que “é diferente organizar uma prova especial em Fafe como aconteceu com um enorme êxito e alterar toda a fisionomia de um rali para o norte ou centro. Não é impossível, mas implica correr riscos que aumentam exponencialmente. Só para se ter uma ideia basta dizer que no Algarve a prova tem 260 quilómetros de troços diferentes e é controlada por 1200 agentes da GNR, enquanto que nos seis quilómetros de Fafe estiveram ao serviço 340 agentes!”.

Por estas palavras, que se mantêm claramente atuais, se percebe que mesmo com dificuldades, o ACP pode ver-se na contingência de arriscar e levar mesmo a prova para o centro/norte, pois um rali tão bem sucedido como foi o Fafe World Rally Sprint deixaria os decisores da FIA sob pressão de colocarem fora do calendário um evento que faria “corar de vergonha” todos os ralis do WRC, talvez com exceção do Monte Carlo e da Finlândia. Quem testemunhou ao vivo o Fafe World Rali Sprint, e viu o entusiasmo dos pilotos, público e manager do WRC, não pode deixar de concordar…

2 responses

  1. Dino

    Como bem disseram o rally a Norte, entusiasmou público, pilotos, ex-pilotos do wrc, manager do Wrc. O Sr. diretor da prova fala que os riscos são maiores, são concerteza, mas também diz que a nível de imagem exterior seria também mais rico e mais mediático. Logo uma boa oportunidade para não perder o rally no próximos anos. E como tudo na vida, ela feita de riscos…vamos lá fazer um grande rally a Norte, o público agradece, com uma boa informação e organização todos vão-se comportar como deve ser.

    19 de Janeiro de 2013 às 17:47

  2. miguel coelho

    vamos lá ser realistas, e deixar o WRC rali de Portugal Vodafone como está, porque dito pelos organizadores, equipas, publico, e atenção não só portugueses, e claro está pilotos, as edições dos anos anteriores correram ás mil maravilhas…. de certeza que se recordam o lamentável motivo porque a F.I.A interrompeu o mundial de ralis cá em Portugal. em suma vamos lá deixar ele ser disputado cá em baixo no nosso Algarve e baixo Alentejo, porque temos condições excelentes tanto a nível organizacional como troços espetaculares e em segurança para pilotos e publico. um bem haja…

    10 de Março de 2013 às 2:06

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