Os reconhecimentos ilegais nos Ralis em Portugal…

Pode parecer mesmo muito estranho, mas Portugal, em duas décadas, conseguiu colocar três pilotos no Mundial de Fórmula 1, Pedro Matos Chaves, Pedro Lamy e Tiago Monteiro, mas no Mundial de Ralis, a tempo inteiro, apenas Armindo Araújo o conseguiu, bem recentemente, não ficando por lá muito tempo, pelos motivos que todos conhecem.

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Sendo os ralis uma modalidade com forte implantação em Portugal, pode parecer no mínimo estranho que tenhamos conseguido colocar três pilotos na F1, dois deles vários anos, e só a muito custo tivemos um piloto com um programa completo no WRC.
A razões davam para escrever um livro, mas há uma que, em conversas com os mais diversos agentes dos ralis nacionais, desde pilotos, organizadores, a jornalistas, todos afinam pelo mesmo diapasão: os reconhecimentos ilegais são um cancro que corta as pernas a quase todos.

Há tempos, um jovem piloto dizia-nos “eu não queria ter feito reconhecimentos ilegais, mas se não o fizer, como podia ganhar ralis face a outros que nunca o deixaram de fazer?” Esta é uma questão muito complicada, já que existindo regras, poucos as cumprem. O Autosport, no passado, chegou a posicionar-se em troços, e não precisava de esperar muito para ver quem por lá passava.

Por cá, as coisas são como são, os pilotos até parecem andar bem, e depois quando chega a hora da internacionalização, espalham-se ao comprido. Uma das razões é claramente os maus hábitos relativamente aos reconhecimentos ilegais, pois nas provas internacionais, com os reconhecimentos limitadíssimos, o andamento reflete-se muito.

Há pouco tempo, ouvimos o Campeão de Portugal de Ralis, Ricardo Moura, falar sobre o assunto, perguntando-lhe se considerava que no CPR se fazem demasiados reconhecimentos? É possível um piloto evoluir em Portugal com reconhecimentos livres? “Depende da perspetiva. Eu sou apologista das duas passagens, mas só se for igual para todos, caso contrário é muito desigual e injusto. Por outro lado, também sou apologista que não se devem criar regras que não podem ser controladas. Não sei se há uma solução, mas parece-me que a única hipótese de controlar minimamente os reconhecimentos, é divulgar o itinerário no próprio dia dos reconhecimentos, um dia antes do rali, mas isso também tem inconvenientes ao nível dos espectadores, etc. Liberalizar nunca. Isso aí seria o caos para todos, inclusive populações.”, referiu o açoriano.

Em resumo, este é um problema em que o egoísmo de alguns, acaba por afetar todos, em especial os melhores, que um dia tentam internacionalizar-se e levam consigo vícios que nunca conseguirão ultrapassar.

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