Rally de Portugal não pode ser um leilão!! – amanhã nas bancas > barlavento

Logo_VRP2013

WRC-FIA

 

O Rally de Portugal não pode ser um leilão!

Texto: manuel andrade

Fotos: reinalgon

 

As declarações de Carlos Barbosa, presidente do ACP, aos microfones da RTP2, na altura da realização do WRC Fafe Rally Sprint – «o Rally de Portugal vem para o norte!» -, obrigou à imediata reunião dos Municípios e Entidades de Turismo do Algarve e Alentejo no sentido de contestar e lembrar o protocolo assinado de boa-fé em 4 de janeiro de 2012, pelos proprietários do Estádio Algarve a organização do rally (ACP e Motorsport), acordando as responsabilidades entre as partes quanto às edições de 2013, 2014 e 2015.

«barlavento» entrevistou Desidério Silva, presidente do Turismo Algarve, no sentido de saber as últimas démarches e a sua opinião sobre o assunto.

barlavento – O que há de novo depois da comunicação da semana passada?

Desidério Silva – Mais uma vez contatei o presidente do Turismo de Portugal, e aquilo que ele me disse foi exatamente o que escrevi na segunda-feira anterior. Tenho da sua parte a vontade e garantia que o rally se mantenha na região. Também pedi uma reunião ao secretário de Estado do Turismo para podermos falar sobre esse problema e outros. Também disse ao presidente do ACP que, depois de passar este processo, teríamos de conversar e, como demos sinal na conferência de imprensa que fizemos em conjunto,  para lhe manifestarmos aquilo que é a nossa discordância numa possível transferência do rali para o norte. Há aqui alguns dados que me parecem preocupantes – virem dizer que alguns pilotos disseram que o norte era muito interessante, que o próprio presidente da FIA também deu a entender isso, são alguns dados que procuraremos contrariar com os argumentos que no fundo temos como referência. O Algarve tem sido palco nestes últimos anos de um rally de excelência onde as condições logísticas, não só das acessibilidades de hotelaria e particularmente daquilo que é mais importante – a questão da segurança -, foram salvaguardados em todos os aspetos. Digamos que há aqui alguns aspetos contraditórios quando os pilotos dizem por um lado que as provas são excelentes, e por outro alguns dizem que o norte tem outras componentes. A paixão só por si não me convence, há que continuarmos a trabalhar neste caso com os municípios do Algarve e Baixo Alentejo, no sentido de conseguirmos os argumentos necessários para que o rally se mantenha na região.

entrevista com Desidério Silva 005xx

b. Não existiu uma certa ingenuidade da parte dos proprietários do Estádio Algarve quando foi assinado o protocolo pois, para além de «oferecerem» as infraestruturas grátis, não há da parte do ACP nenhum compromisso na realização do evento?

D.S. – Não vou comentar essa questão porque não estive por dentro do processo, não era presidente da Região de Turismo e só quem poderá responder a essa questão são os subscritores. Acho que é importante, e não faria sentido ser assinado esse contrato, se não fosse por parte da organização entendível que o rally seria nas zonas envolventes ao próprio Estádio e àquilo que foi o objeto do contrato. Ninguém assina um contrato desde que não esteja intrínseco que depois de todo o envolvimento o rally não se desenvolverá através do espaço onde foi contratado por mais três anos.

b. Acredita, que as Câmaras do centro/norte podem garantir a realização do rally, antes de haver eleições autárquicas?

DS Tenho muitas dúvidas. É evidente que algumas poderão ter essas condições. Não conheço a situação económico/financeira desses municípios, nem sei propriamente quais são aqueles que vão ser envolvidos. Mas também tenho a noção que, normalmente, essas decisões, quando envolve financiamentos, tem que haver pelo menos um acordo entre aqueles que são os potenciais candidatos a um determinado município, para que  depois dos resultados eleitorais se comprometam com esse compromisso. Mas sei que as câmaras do norte também não estão, digamos, propriamente num estado de saúde financeira que permita à primeira vista dizer que sim sem qualquer condicionante. Mas como disse, isto não é uma questão norte/sul, é uma questão que é importante para o Algarve valorizar e apostar num evento de referência que tem dado nos últimos anos um sinal e uma realidade económica muito forte na região mais importante em termos turísticos, aquela que tem tido mais receitas para o turismo nacional, logo, é importante que continue cá. Não quero fazer disto uma guerra norte/sul, quero, pelo contrário, defender uma causa. Estou convicto, por aquilo que é a excelência dos troços, da hotelaria, do serviço, das acessibilidades, e da segurança, que não há nenhum sinal que leve a que possa haver uma alteração de localização, porque não há nenhum fator que seja melhor ou supere aqueles que são os fatores de referência dados pelo Algarve.

b. Poderá a marca Algarve ter influência na decisão da localização do rally?

DS O Algarve é a maior região turística a nível nacional. A imagem de Portugal, particularmente nos destinos onde o rally tem uma projeção maior, é o destino Algarve o mais conhecido. É muito diferente uma promoção de Portugal agarrada ao Algarve do que a outro destino com menos visibilidade. O Algarve representa 40% do turismo nacional, enquanto o centro/norte representa 16%. Se temos os 40% desse turismo nacional, é evidente que a promoção de uma região que passa em vários países do mundo, a marca Algarve potencia em termos económicos e dá outra valorização ao próprio território português. É isso que temos estado a fazer, demonstrar claramente que o produto rally tem em termos económicos para o país a maior projeção e maior retorno se se mantiver no Algarve.

entrevista com Desidério Silva 006xx

b. – Como a decisão da localização do Rally de Portugal 2014 terá de ser tomada até final de maio, que medidas vão ser tomadas até lá?

DS – Este rali não pode ser um leilão! Disse na conferência de imprensa que não tinha visto muitas vezes os municípios tão unidos na defesa de uma região e de uma causa, como foi a questão agora do rally, inclusive com municípios do Alentejo e Região de Turismo do Algarve e do Alentejo. Se isto serviu para os municípios se juntarem, é evidente que isto também tem que dar um sinal de que os municípios têm um papel fundamental no criar das condições para o rally se manter. Como temos que juntar aqui, também, os empresários e as associações de hotelaria, pois são eles os titulares e os primeiros interessados no contexto do retorno imediato da economia. Neste contexto, é da reunião com o secretário de Estado, com o Turismo de Portugal e obviamente com o ACP, que temos de encontrar uma solução para ultrapassar a questão do leilão norte/sul. Mais do que a paixão, devem contar as condições de onde a prova acontece – todos os dados que foram indicados e avaliados são de nota excelente, e não há aqui uma situação que diga «vocês foram bons em tudo, mas nisto não». Fomos bons em tudo! E quando se é bom em tudo, acho que ninguém quer arriscar mudar para uma situação que será naturalmente pior. Acho que temos boas condições para poder fazer e valorizar este nosso papel e esta vontade de defender uma causa.

b. – Porquê esta união tão tardia?

D.S. Não compreendo a união tardia. Se o sentimento agora é juntar as instituições, há que valorizar este papel e há que, no fundo, tentar reforçar esta vontade de todos.

Finalizando, o presidente do Turismo Algarve, quis deixar clara a posição que deverá ser tomada pelas instituições da região –«… esta experiência é um sinal de que a região tem que acabar de uma vez por todas de andar cada um a atirar pelo seu lado. A região devia aprender com esta questão que é possível juntar, que a promoção e a valorização têm que ser conjuntas, e quando digo conjuntas é com todas as associações, municípios, enfim com todos os agentes no terreno. Há aqui um património enorme que tem de ser valorizado como conjunto. Espero que isto possa servir para nos juntarmos sempre quando for necessário, e mesmo quando não estamos juntos podermos falar uma linguagem comum em função de todos os agentes no território».

logo_ficha 225  Figura1«barlrally

One response

  1. Temos que unir o Algarve e o Alentejo em torno deste evento.

    24 de Abril de 2013 às 19:51

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s